sexta-feira, maio 31, 2013

há dias que acho que sou bicho estranho....

A sério... tenho dias que penso que sou mesmo um bicho estranho... uma mãe estranha... sei lá...

Gosto de pensar que sou bastante relaxada, levo a minha vida a tentar ser o mais descontraída possivel (de outra forma para mim não vale a pena)...

Acho que sou uma boa mãe e adoro sê-lo... considero que me tornei uma pessoa melhor depois do Gil nascer e não consigo imaginar a minha vida em aquele pinguinho de gente... mas ontem pus-me a pensar que se calhar sou um bocado estranha... Será?

Eu explico:

Ontem em conversa com uma amiga sobre outra nossa amiga que teve um filho recentemente ela contava-me a angústia que essa nossa amiga comum estava a viver com o prospecto de ter de deixar de passar o dia todo com o filho quando voltasse ao trabalho...

Ora pus-me a pensar com os meus botões... já não é a primeira pessoa que me fala de tal sentimento... que eu, muito sinceramente, não conheço...

Se me custou deixar o Gil com 4 meses no berçário... um pouco mas nada que me angustiasse (acho que era mais ansiedade em ver se a adaptação dele às rotinas ia correr bem)... durante os primeiros 3 meses de vida do Gil eu estava perfeitamente satisfeita em ser apenas MÃE, mas no último mês confesso que já estava ansiosa por deixar de ser só MÃE e um pacote de leite com pernas, para voltar a ser Cientista, Colega, Eu... que a minha vida tivesse mais a acontecer do que as pequenas conquistas que o Gil fazia diariamente e que muito me alegravam...

Porque será? Porque é que eu não senti aquela angústia que tantas mulheres falam? Serei uma mãe mais distante? Acho que não.. aliás tenho a certeza que não...

A minha única explicação é que eu faço o que adoro! Não me imagino com outra profissão e mesmo com todas as incertezas, e por vezes momentos menos bons, sei que sou feliz com a minha profissão, e que isso me preenche profissionalmente e me faz uma pessoa mais feliz...

Sou sortuda! Sei que sim... tenho um trabalho (notem que não uso emprego, pois isso não é comum na ciência em Portugal) que adoro! Tenho um companheiro com C grande que me ajuda em tudo... Um filho capaz das maiores doçuras que me fazem derretar... Uma família que sempre me motivou e que eu adoro! Amigos com quem sei que posso contar... Uma vida preenchida!

Será por isso que eu não senti essa angústia? Ou sou simplesmente um bicho estranho?

5 comentários:

Sónia disse...

Eu fui como tu. Adorei estar em casa mas também adorei quando voltei ao trabalho e pude voltar a ser eu. Sou mais feliz assim, quando posso ser eu longe deles e depois regresso e volta a ser apenas a mãe deles :)
Nunca senti a ansiedade dos deixar, sei que ficam bem entregues!
Beijos

Dinastia FilipiNHa disse...

Não és nada um bicho estranho!

Eu, apesar de adorar o que faço, admito que se pudesse tinha ficado mais tempo em casa com as minhas filhotas. No entanto, não concebo a ideia de ser "simplesmente" mãe a 100%. Preciso de mais para me sentir realizada. Mas não me importava nada de reduzir o meu horário em 1 ou 2 horinhas diárias só para evitar o stress / correria das manhãs e das tardes :-)

Beijinhos!

Sofia disse...

nao acho nada que sejas bicho estranho. eu tambem deixei a mais velha mais ou menos sem dificuldades, porque queria voltar ao trabalho. da segunda a vida acabou por ser diferente, mas apesar de adorar as minhas miudas quero voltar ao trabalho um destes dias. porque acho que sou melhor pessoa se tiver tempo para ser eu e nao so mae delas...

Rute disse...

Isto vai mesmo de encontro com o texto que postei hoje no blog... o que interessa é que respondes afirmativamente à pergunta "sente necessidade da realização profissional associada a um trabalho fora de casa?"
Nao vejo qual o mal ou o erro em gostares de Ser Mãe MAS TERES UM TRABALHO TAMBÉM... somos todas diferentes, temos todas expectativas de vida diferentes e é isso que nos tornas únicas/genuínas... o resto não interessa.

Cláudia disse...

Não és estranha, nem bicho... És sim uma pessoa excelente, e uma mãe capaz de fazer o filho feliz. Há lá coisa melhor...
Saber que eles são felizes é a melhor gratificação.
E deixá-los ganhar asas, conhecerem o mundo sem ser debaixo das nossas pernas também os faz crescer, e ser felizes.
:)